Cientistas inserem memórias falsas e felizes em camundongos

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Pesquisadores do Centro Nacional de Pesquisa Científica (CNRS), da França, conseguiram implantar memórias falsas e felizes em camundongos enquanto eles estavam dormindo através de uma técnica conhecida como estimulação do eletrodo, isto é, estimularam seus cérebros enquanto dormiam.

O sentimento de felicidade era tão intenso que no dia seguinte os ratos voltaram ao local da memória falsa buscando um tipo de recompensa.

“O rato desenvolveu um comportamento dirigido com a meta de ir para o lugar”, disse o principal autor Karim Benchenane ao NewScientist. “Isso prova que não é um comportamento automático. O que criamos é uma associação entre um determinado lugar e uma recompensa que pode ser conscientemente acessada pelo rato”.

Embora a premissa seja preocupante para o futuro (ou não, dependendo do seu ponto de vista), a tecnologia pode ter aplicações menos invasivas e práticas, visando o benefício de pessoas.

“A ideia é usar isso como uma ferramenta para combater o transtorno de estresse pós-traumático”, disse Hannah Benchenane Devlin ao The Guardian.

“Eu acho que este é um passo muito importante no sentido de ajudar as pessoas com deficiências de memória ou depressão”, Loren Frank, neurocientista da Universidade da Califórnia, em San Francisco, que não estava envolvida no estudo, disse ao NewScientist. “Em princípio, você poderia mudar seletivamente o processamento cerebral durante o sono para suavizar memórias ou alterar seu conteúdo emocional.”

Os cientistas, a princípio, tinham em mente testar a teoria de que os camundongos, como as pessoas, também consolidam memórias durante o sono, fixando o que é importante (como a aprendizagem) e descartando informações que o cérebro não considera úteis.

Quando descobriram que a teoria estava correta, os pesquisadores então partiram para o segundo passo: implantar memórias falsas. Para isso, eles localizaram neurônios específicos no cérebro dos ratos que ajudam a formar as memórias.

Em seguida, eles implantaram eletrodos no hipocampo – a região do cérebro associada com a formação da memória – em 5 ratos. Os dispositivos registravam a atividade dos neurônios enquanto os ratos dormiam. Cada vez que estas células indicavam um pico de atividade, os pesquisadores usaram um eletrodo separado para estimular uma região do cérebro associada ao prazer.

Quando acordaram, os pesquisadores notaram uma atividade muito alta nessa região do cérebro, e os ratos refizeram o “percurso da recompensa” que os cientistas implantaram neles em busca de uma nova.

Outras equipes também estão nos trazendo para mais perto da manipulação de memórias. Em agosto de 2014, cientistas dos EUA usaram lasers para criar lembranças negativas em camundongos, e a DARPA tem um programa ambicioso para restaurar memórias em veteranos que sofreram lesões cerebrais traumáticas.

Os resultados do estudo foram publicados na Nature Neuroscience. [ScienceAlert]

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