Mentimos melhor quando estamos com vontade de urinar

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Ninguém gosta de ficar apertado para ir ao banheiro, mas de acordo com uma nova pesquisa, o auto-controle que somos obrigados a exercer ao suprimir um desejo urgente como urinar, na verdade, permite-nos ser melhores mentirosos.

A teoria é que o controle mental que exercemos sobre nós mesmos quando estamos tentando não pensar sobre o quanto nós realmente gostaríamos de fazer xixi afeta outras áreas do cérebro, incluindo as faculdades mentais que usamos para enganar os outros.

O “efeito inibidor spillover” (ISE), como os pesquisadores chamam, ocorre quando o desempenho em uma tarefa de auto-controle facilita o desempenho em outra. Para testar sua teoria de que o ISE pode ser demonstrado entre o controlo físico e cognitivo, os pesquisadores elaboraram um experimento particularmente desonesto.

Vinte e dois estudantes voluntários foram convidados a preencher um questionário sobre uma série de questões sociais e morais. Depois, eles foram entrevistados por um painel, com instruções para mentir sobre como se sentiam sobre algumas das questões – e defenderem pontos de vista opostos, como se fossem seus próprios.

Para complicar um pouco a situação, 45 minutos antes da entrevista, metade dos participantes foram obrigados a beber consideráveis 700 ml de água para encher a bexiga, enquanto a outra metade do grupo só teve de beber 50 ml.

O resultado? De acordo com a percepção dos seus observadores, os mentirosos que beberam um grande volume de água mostraram significativamente menos pistas comportamentais de que eles estavam mentindo do que os outros, isto é, os que estavam de bexiga cheia mentiram melhor.

Os mentirosos que precisavam fazer xixi inventaram mais e mais histórias complexas do que os participantes que não sentiam nenhuma pressão na bexiga.

De acordo com Iris Blandon-Gitlin, um dos autores do estudo, o controle da bexiga e outras formas de controle cognitivo não são tão separadas como se imaginava.

“Elas são subjetivamente diferentes, mas no cérebro não”, disse Sam Wong para a New Scientist. “Quando você ativa uma rede de controle inibitório em um domínio, os benefícios se alastram para outras tarefas.”

Os resultados foram publicados na Consciousness and Cognition. [ScienceAlert]

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