O rinoceronte que foi eleito vereador em São Paulo

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A política brasileira é alvo de críticas desde muito tempo atrás, e os votos de protesto, em candidatos que se apresentam apenas como figurantes em eleições, também não são novidade. Foi em 1959 que ocorreu um dos primeiros (ou talvez o primeiro) caso pitoresco de voto de protesto no Brasil.

Naquela época, Getúlio Vargas tinha acabado de falecer, Adhemar de Barros era o governador de São Paulo, e os paulistas não estavam satisfeitos com a Câmara Municipal, muito menos com os vereadores que haviam se candidatado naquela época. Para se ter uma ideia, o slogan de um dos candidatos (que pesava 230kg) era “vale quanto pesa”. Outro, passeava com uma onça e tinha como slogan: “eleitor inteligente vota no amigo da onça”.

Foi então que o jornalista Itaboraí Martins resolveu fazer uma grande brincadeira com o momento político do país, lançando a candidatura de um rinoceronte chamado Cacareco (apesar de ser uma fêmea). O animal saiu do Rio de Janeiro para se tornar atração na abertura do Zoológico de São Paulo, e depois de seis meses os paulistas já cogitavam não devolvê-lo.

A grande jogada do jornalista Itaboraí Martins foi um sucesso. Várias gráficas entraram na brincadeira e imprimiram cédulas com o nome e foto do animal (cédulas essas que na época eram utilizadas para validar um voto). Além disso, grande parte da população decidiu ir para as ruas protestar e fazer campanha para o rinoceronte.

Eis o mais bizarro de tudo: Cacareco recebeu, aproximadamente, 100 mil votos. Isso pode parecer pouco perto dos números que vemos atualmente, mas, para efeito de comparação, o candidato mais votado daquela eleição ficou com menos de 110 mil votos, e o partido com maior bancada eleita teve 95 mil votos.

Cacareco, infelizmente, não comemorou sua vitória. Dois dias antes da eleição ele foi devolvido ao Rio, e morreu de forma prematura, antes de completar 10 anos de idade. O caso ganhou destaque até mesmo na revista ‘Time’, que citou as palavras de um eleitor: “É melhor eleger um rinoceronte do que um asno”.

O pior de tudo é perceber que, 56 anos depois, pouca coisa mudou.

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