O rio fervilhante de Mayantuyacu – Peru

0
181

Nas profundezas da floresta amazônica em Mayantuyacu, Peru, flui um rio tão quente que sua água literalmente ferve. Os moradores locais a chamam de “Shanay-timoshka”, que vagamente se traduz em “quente como o sol”. Eles acreditam que a água quente é lançada por uma serpente gigante chamada Yacumama, “Mãe das Águas”, que é representada por uma grande serpente com a cabeça em forma de pedra.

O rio tem cerca de 25 metros de largura e 6 metros de profundidade, mas apenas 6,4 km de comprimento. A temperatura da água fica entre 50 e 90 graus centígrados com pequenas partes do rio chegando a 100 graus, temperatura suficientemente quente para provocar queimaduras de terceiro grau em segundos. Muitos animais que caem no rio e são mortos por contas das temperaturas elevadas. Embora sejam documentadas fontes termais na Amazônia, nada é tão grande quanto a Shanay-timpishka.

O rio fervilhante de Mayantuyacu - Peru

Foto: Devlin Gandy

Todos os anos vários turistas visitam Mayantuyacu para experimentar as práticas medicinais tradicionais do povo Ashaninka. Mas além de algumas referências obscuras em revistas de petróleo da década de 1930, a documentação científica do rio é inexistente. De alguma forma esta maravilha da natureza ficou sem ter notícias por mais de 75 anos. Para a maioria dos peruanos, o rio é apenas uma lenda. Os geólogos descartam esta hipótese porque eles argumentam que seria preciso uma quantidade enorme de calor geotérmico para ferver até mesmo uma pequena parte de um rio, e a bacia do Amazonas fica aproximadamente a 640 km do vulcão ativo mais próximo.

Andrés Ruzo, um cientista geotérmico da Universidade Metodista do Sul, não tinha nenhuma razão para acreditar que esse rio existe, mas as histórias o intrigaram. Ruzo ouviu pela primeira vez sobre o rio pelo seu avô quando ele tinha doze anos. De acordo com a história, o rio foi descoberto pelos conquistadores espanhóis quando eles se dirigiram profundamente na floresta a procura de ouro. Alguns dos homens que voltaram disseram sobre um terreno perigoso repleto de água envenenada, cobras comedoras de gente, fome, doença, e um rio que ferve a partir das profundezas.

Vinte anos depois de seu avô ter lhe contado sobre o rio, Ruzo finalmente encontrou alguém que tinha visto o rio – sua própria tia.

Ruzo escreveu um livro sobre o fenômeno: The Boiling River: Adventure and Discovery in the Amazon (em tradução livre, O Rio Fervilhante: Aventura e Descoberta na Amazônia). Ele também está realizando estudos geotérmicos detalhadas do rio fervilhante e colaborando com ecologistas microbianos para investigar os organismos extremófilos que vivem em suas águas escaldantes.

“No meio do meu doutorado, eu percebi que este rio é uma maravilha natural”, disse Ruzo. “E não vai durar a menos que façamos algo a respeito.”

O rio fervilhante de Mayantuyacu - Peru

Foto: Devlin Gandy

O rio fervilhante de Mayantuyacu - Peru

Foto: Sofia Ruzo

O rio fervilhante de Mayantuyacu - Peru

Foto: Devlin Gandy

O rio fervilhante de Mayantuyacu - Peru

Foto: Andrés Ruzo

O rio fervilhante de Mayantuyacu - Peru

Foto: Devlin Gandy

Fontes: Gizmodo / National Geographic / Presurfer

Responder