Você tem afantasia?

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Imagine uma praia, as ondas batendo na costa, e o sol se pondo no horizonte. Para a maioria das pessoas esta é uma tarefa fácil, mas para uma pequena proporção, é impossível. Conhecida como “afantasia”, os médicos descreveram pela primeira vez essa condição em que as pessoas não podem formar imagens mentais.

Acredita-se cerca de 1 em cada 50 pessoas podem ter afantasia. Alguns relatam que a condição faz a pessoa se sentir “sozinha” ou “isolada”, sabendo que elas não podem ver coisas que a maioria das pessoas podem, e que se sentem angustiadas por não poderem retratar amigos ou parentes falecidos mentalmente. Mas outros têm aprendido a conviver com isso, e simplesmente acreditam que experimentam a vida de uma maneira diferente. Uma dessas pessoas é Niel Kenmuir de Lancaster, Inglaterra.

“Lembro-me de não entender o que era “contar ovelhas” quando não se consegue dormir”, disse Kenmuir em um comunicado. “Eu assumi que eles queriam dizer em sentido figurado. eu até tentei virar de cabeça para baixo para procurar por tais ovelhas invisíveis. Passei anos procurando on-line para obter informações sobre a minha condição, e não encontrava nada. Estou muito feliz que agora está sendo pesquisado e definido.”

O neurologista cognitivo Adam Zeman, da Universidade de Exeter, estudou a condição em um novo estudo publicado na revista Cortex. A condição foi identificada pela primeira vez na década de 1880 e tem sido ocasionalmente descrita como um resultado de grande dano cerebral, mas o fenômeno tem, até agora, atraído pouca atenção. Em seguida, um artigo foi publicado na revista Discover citando um trabalho anterior feito por Zeman que solicitou que 21 pessoas entrasse em contato com ele. Zeman, então, decidiu descrever as suas experiências no novo artigo.

Um dos pacientes com a condição, Tom Ebeyer, de Ontário, no Canadá, não sabia que tinha até os 21 anos. Todos os seus sentidos são afetados, e ele não consegue se lembrar de sons, textura, ou até mesmo odores. “Eu tive um impacto emocional grave”, explicou. “Eu comecei a me sentir isolado – incapaz de fazer algo tão central para a experiência humana comum. A capacidade de recordar memórias e experiências, o cheiro das flores ou o som da voz de um ente querido; antes que eu descobri que lembrar essas coisas era humanamente possível, eu nem estava ciente do que eu estava perdendo.”

Acredita-se que a visualização mental seja o resultado de uma rede de regiões em todo o cérebro que trabalham em conjunto para gerar imagens com base em memórias. O melhor palpite até agora é que naqueles que têm afantasia, de alguma forma, as ligações entre estas áreas do cérebro são interrompidas. Isso também ajudaria a explicar como a condição também pode ser causada por um grande dano cerebral.

Para confundir ainda mais a situação, enquanto que aqueles com afantasia não podem imaginar voluntariamente imagens, eles ainda sonham. Zeman salienta que a condição “não é uma doença”, e tem planos de mergulhar mais fundo e realizar mais pesquisas e quem sabe chegar a um tratamento. [IFLScience]

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